Disclosure – Revelação de informações

O vídeo publicado na internet intitulado Amazing Mind Reader Reveals his “Gift” mostra um vidente com poderes para “ler pensamentos”.  Dave adivinha informações pessoais e fatos da vida dos participantes. No vídeo, gravado em Bruxelas, em 12 de setembro de 2012, um grupo de pessoas aleatórias foi informado de que Dave seria o protagonista de um programa de TV. Porém, na realidade tratava-se de uma campanha da Federação Bancária Belga – Febelfin -, em que todas as informações sobre as pessoas foram coletadas diretamente na internet.  (Fonte: G1, acesso 1/10/2012; Febelfin, acesso 1/10/12)

Nos bastidores do programa uma equipe de pesquisadores vasculhava o perfil dos participantes nas redes sociais, incluindo o Facebook, utilizando apenas o nome completo delas.  Dave, o “vidente”, usava um ponto eletrônico a partir do qual conseguia “ler” o pensamento das pessoas, revelando informações, a rigor, sigilosas, tais como: dados de conta bancária, valores de investimentos, nome dos melhores amigos, fatos da vida amorosa etc.

O vídeo termina com as seguintes frases: “Sua vida inteira está online. E pode ser usada contra você.

É possível relacionar a situação apresentada no vídeo com a temática abordada no livro Admirável Mundo Novo e na literatura acadêmica analítica sobre os problemas apresentados.  Na “sociedade confessional”, categoria utilizada por Zygmunt Bauman (Vida para consumo, 2006), tem-se a impressão de que as pessoas estão condicionadas a uma necessidade psicológica de revelar nas redes sociais informações precisas e detalhes íntimos de suas vidas pessoais.  Para melhor elucidar essa informação citamos Bauman,       

 “Os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis são apenas aprendizes treinando e treinados na arte de viver numa sociedade confessional – uma sociedade notória por eliminar a fronteira que antes separava o privado e o público, por transformar o ato de expor publicamente o privado numa virtude e num dever públicos, e por afastar da comunicação pública qualquer coisa que resista a ser reduzida a confidências privadas, assim como aqueles que se recusam a confidenciá-las.” (Bauman, 2006).

O pensador Eugéne Enriquez também nos ajuda a entender o contexto do vídeo, ao afirmar que: “A nudez física, social e psíquica está na ordem do dia.” (apud Bauman, 2006)

Fazendo uma analogia com o Admirável Mundo Novo, será que as pessoas estão se auto-condicionando psicologicamente a viver em uma realidade onde não haveria ética e valores morais? Uma realidade onde o “Soma” da felicidade equivaleria ao soma da notoriedade. Esse comportamento elimina qualquer tipo de reflexão ou raciocínio básico de dúvida e insegurança, ao expor informações pessoais a partir de um monitor como se fora um diário privado e pessoal onde quem tem acesso é apenas e somente o detentor de tais informações.

“Seja vigilante” esse é o conselho dado pela Federação Belga dos Bancos.  Filtrar e moderar aquilo que se coloca nas redes sociais, é o mínimo que se pode esperar antes de apertar o botão… compartilhar.      

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Uma resposta em “Disclosure – Revelação de informações

  1. Interessante a proposta da Febelfin. Eu não faço parte das redes sociais, não pela questão de ser uma rede digital, extrafísica, mas justamente pela qualidade baixa de conteúdo trocado neste ambiente, que repete um movimento condicionante, próprio da “Sociedade de espetáculo”. E aí está novamente o “condicionamento” proposto por Huxley!

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